sexta-feira, 7 de abril de 2017

Não há cu para as praxes


Ontem descia o Chiado quando vejo passar por mim um grupo de jovens de caras pintadas. Ao pescoço, levavam uma folha pendurada, que os identificava como "verme nº1", "verme nº2", e por aí adiante. Ora bem, eu odeio praxes, é sabido. Acho que é das coisas mais embaraçosas e humilhantes que pode haver e, tenho muita pena, mas não acredito que o intuito seja ambientar e enturmar os novos alunos. Acredito, sim, que foi uma coisa inventada por gente que gosta de mandar nos outros, e como não tem nehuma outra oportunidade para o fazer, aproveita o facto de ter ali à mão de semear uma dúzia de caloiros imberbes e que acreditam que se não forem praxados nunca terão amigos na faculdade. Uma miúda histérica, que não devia ter mais de 20 anos, berrava com uma data de alunos encostados a uma parede. E dizia que se não fizessem o que ela mandava, no dia a seguir voltavam todos a ser praxados (uuhh, medo). "E que isto não se volte a repetir", gritava ela com ar de Hitler, seguramente muito contente com o facto de estar no meia da rua e ter todos os olhos postos nela. Pela parte que me toca, limitei-me a abanar a cabeça, mas o que me apetecia mesmo era enchê-la de estalos. E dizer aos miúdos para arrancarem aquelas folhinhas a dizer "vermes" e as enfiarem pela goela dos seus "superiores". Graças a todos os santinhos, fui parar a uma faculdade anti-praxe. E nem por isso os mais velhos deixaram de nos integrar, de organizar jantaradas ou de nos ajudar no que fosse preciso. A sério, que parte de chamar "verme" a uma pessoa é que a ajuda a ser mais feliz na faculdade?

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